Fantasmas
Nunca considerei morar sozinha na última casa da rua. Mato na frente, atrás e do lado esquerdo. Beyond here lies nothing. A casa é cheia de grades nas janelas, portas com mil trancas. Coisa de gente bitolada. De buena (powered by @anacpaim).
E cá estava eu pensando com minhas heinekens: o sistema de alarmes, as grades e as trancas protegem dos vivos. Mas e os fantasmas? Quem vai me proteger dos mortos?
Minha vida sempre foi recheada de fantasmas. Ainda é. Mas o tipo de fantasma que mais me atrapalha são os dos ‘exes’. Não falo do meu ex marido que, apesar de chamá-lo de falecido, já teve sua alma levada daqui pra melhor.
Falo de relacionamentos que ficaram mal resolvidos. Que não terminaram bem. Que nem começaram e por isso mesmo viraram fantasmas. Ficam vagando. Aparecendo vez ou outra na minha vida.
Esses fantasmas são um problema sim. Não deixam você se concentrar no presente. Nos relacionamentos que estão vivos aí, prontos pra serem aproveitados. Fazem ficar remoendo e considerando como seria se a situação atual fosse com o fantasma e não com o ‘encarnado’.
O mais interessante é que o fantasma que me perseguiu durante tanto tempo ‘encontrou a luz’ e foi pro outro lado. Deixou que eu seguisse a minha vida.
Não. Pó pará aí! Quem esqueceu fui eu. Quem seguiu com a vida fui eu. Só o que faltava dar créditos prum fantasma agora também.
Agora aqui, na nova casa e de lição aprendida, estou pronta pra receber novos fantasmas que prometem atrapalhar futuros relacionamentos com novos ‘encarnados’ que vem surgindo.
Tô de porta aberta, alarme desligado. E que seja um fantasma fodão do tipo que atravessa as grades das janelas. Beijos, me assombrem!