Mais uma dose!

pouco gelo em mais de 140 caracteres...

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Nov 30

Qual rótulo combina melhor com a sua garrafa?

Até onde vai a timidez? Até onde vai a ousadia?
Pode um homem ser tão tímido a ponto de NÃO se aproveitar da fama para comer as menininhas?
Será que a ousadia de uma mulher ultrapassa o sentimentalismo a ponto de trocar ‘eu te amo’ por um ‘me come’, mesmo depois de meses transando com a mesma pessoa?
Qual é o limite desses extremos? Onde os rótulos terminam?
Qual rótulo combina melhor com a sua garrafa?

 

 


Oct 18

O Segredo das Cervejas

Tem dias em que a cerveja não desce bem. São raros. Tem dias em que o dia é tão ruim que nem mesmo uma cerveja gelada é capaz de te fazer sorrir. E aí você, que jurava que jamais negaria uma cerveja gelada num dia de sol, se vê fechando a geladeira com uma garrafa de água na mão.
É quando a gente se deixa seduzir por coisas minúsculas e se esquece do que realmente gosta e precisa. É quando a gente se apega a coisas minúsculas, problemas que não são nossos, e descontamos em quem sem importa com a gente.
Assim como a cerveja que estava te esperando geladinha, pronta pra te animar, pra te agradar, não tem culpa que você tenta abraçar o mundo, a sua família, amigos, e seguidores do twitter também não têm.
O problema de negar a cerveja que está pronta pra te agradar, é que elas são vingativas. E quando você mais precisar de um gole de carinho, ela estará quente. Se você tiver sorte. O mais provável é que ela nem esteja te esperando.
Cervejas cansam de esperar. Cervejas buscam outros copos, outras bocas. Cervejas querem ser apreciadas como se fossem as mais geladas, as mais encorpadas, as mais deliciosas do mundo. Cervejas não estão interessadas em saber o ano da sua geladeira ou quantas cervejas você pode comprar com sua folha de pagamento. Cervejas só querem que você as deseje e saboreie.
Viu só? Não é difícil agradar a uma cerveja.
O segredo é não se esquecer de que ela pode não ser a única, mas tem que se sentir como se fosse.


Aug 31

Inversão de Papéis

Aí quando estou no limite, querendo jogar tudo pro alto ela faz sinal pra eu falar baixo pois o passarinho está dormindo.

Tive vontade de dizer pra ela que o passarinho não estava dormindo, que morreu de uma maneira estúpida quando não viu o vidro da janela e por isso estava lá, caído na calçada.

Errando de maneira humana, o passarinho se distraiu com o reflexo da luz do sol na vidraça, se perdeu, cegou e morreu.

Eu quis dizer pra ela que é assim que a gente morre. Quis dizer que quando a gente fica muito focado e pára de enxergar as coisas simples que acontecem todos os dias, a gente acaba batendo na vidraça da rotina, arrebentando o nariz na porta da vida e morrendo por dentro, sabe?

Eu quis falar. Mas não precisava. Ela era que estava me dizendo. Dizendo pra eu desviar minha atenção do reflexo da luz do sol no vidro. Que o passarinho lá no chão parecia estar tão em paz que só podia estar dormindo.

Era ela me ensinando outra vez.


Aug 25

Poema para quinta-feira

Preciso conversar e… faca.
Preciso ganhar dinheiro e… faca.
Preciso beber um uísque e… faca.
Preciso fazer sexo e…faca.

Preciso comecar a usar cedilha e…faça.


Jul 30

Escovas de dente e solidão

Acordar de manhã cedo e ver apenas uma escova de dente sobre a pia do banheiro deve ser muito triste. Sensação de não ter ninguém com quem dividir as manhãs e refeições.
Quando me separei, tratei logo de tornar fixo o lugar da escovinha de dentes da Manu (que tinha uns 4 dentes na época) lá, ao lado da minha.
Hoje, quando entro no banheiro pela manhã, encontro quatro escovas de dente.
Além da minha e a da Manu, tem a de um amigo, que praticamente mora lá em casa, e a de um possível futuro ex que fez questão de esquecê-la no meu banheiro há mais de um mês.
Como sou super otimista, concluí que chegará um dia em que restará apenas a minha escova sobre a pia. Manu deve ir embora, o meu amigo tomará outro rumo, o ‘possível futuro ex’ finalmente será ex.

E no fim restará apenas a boca, a escova de dente e a pia.


May 24

Fantasmas

Nunca considerei morar sozinha na última casa da rua. Mato na frente, atrás e do lado esquerdo. Beyond here lies nothing. A casa é cheia de grades nas janelas, portas com mil trancas. Coisa de gente bitolada. De buena (powered by @anacpaim).

E cá estava eu pensando com minhas heinekens: o sistema de alarmes, as grades e as trancas protegem dos vivos. Mas e os fantasmas? Quem vai me proteger dos mortos?

Minha vida sempre foi recheada de fantasmas. Ainda é. Mas o tipo de fantasma que mais me atrapalha são os dos ‘exes’.  Não falo do meu ex marido que, apesar de chamá-lo de falecido, já teve sua alma levada daqui pra melhor.

Falo de relacionamentos que ficaram mal resolvidos. Que não terminaram bem. Que nem começaram e por isso mesmo viraram fantasmas. Ficam vagando. Aparecendo vez ou outra na minha vida.

Esses fantasmas são um problema sim. Não deixam você se concentrar no presente. Nos relacionamentos que estão vivos aí, prontos pra serem aproveitados. Fazem ficar remoendo e considerando como seria se a situação atual fosse com o fantasma e não com o ‘encarnado’.

O mais interessante é que o fantasma que me perseguiu durante tanto tempo ‘encontrou a luz’ e foi pro outro lado. Deixou que eu seguisse a minha vida.

Não. Pó pará aí! Quem esqueceu fui eu. Quem seguiu com a vida fui eu. Só o que faltava dar créditos prum fantasma agora também.

Agora aqui, na nova casa e de lição aprendida, estou pronta pra receber novos fantasmas que prometem atrapalhar futuros relacionamentos com novos ‘encarnados’ que vem surgindo.
Tô de porta aberta, alarme desligado.  E que seja um fantasma fodão do tipo que atravessa as grades das janelas.  Beijos, me assombrem!